É preciso uma aldeia global ou um resumo da NISO Plus 2021

Por Gabriela Mejias e Carolina Tanigushi

Introdução

A segunda Conferência NISO Plus foi realizada virtualmente de 22 a 25 de fevereiro. O tema deste ano foi “Conversas globais – conexões globais”. O evento reuniu 850 participantes de 26 países, com alto nível de engajamento durante as 52 sessões. Como na edição anterior, a NISO Plus é um evento em que o “sábio que não está no palco”, que se traduziu em muitas discussões interessantes nas perguntas e respostas ao vivo, no Twitter e no fórum da NISO.

Outro elemento que tornou único o programa da NISO Plus 2021 foi o esforço para permitir momentos de integração – networking – para iniciar mais conversas. A edição NISO Jeopardy foi uma forma interessante de aprender e pensar sobre padrões, e a sessão contou com mais de 80 participantes. “Ficamos entusiasmados com tantos participantes se engajando e aprendendo sobre padrões, eventos e atividades da comunidade NISO”, comentou Raymond Pun (Hoover Institution), anfitrião da sessão.

Como parte do compromisso para melhorar a diversidade, equidade e inclusão na comunidade de informação, pelo segundo ano, e com o apoio da Digital Science, 15 profissionais foram contemplados com as bolsas de estudo NISO Plus 2021.

Nas próximas seções, vamos resumir as lições mais importantes do nosso ponto de vista. (Isenção de responsabilidade: os autores receberam a bolsa NISO Plus 2020 e ademais são parte do comitê de Planejamento da NISO Plus 2021).

Diversidade, equidade e inclusão (DEI) & acessibilidade

Diversidade, equidade, inclusão (DEI) e acessibilidade foram os temas centrais da NISO Plus 2021. Muitas sessões diferentes foram enfocadas nos esforços e discussões em andamento para melhorar a DEI e a acessibilidade em toda a comunidade de informação.

Durante a sessão A Focus on Accessibility Mike Capara (The Viscardi Center) levantou a necessidade de um entendimento mais claro sobre acessibilidade digital. Um ponto importante foi levantado por Solange Santos (SciELO): melhorar a acessibilidade em bibliotecas digitais melhora a experiência do usuário para todos, não apenas para pessoas com deficiência. A acessibilidade começa no topo da organização e requer necessariamente uma mudança cultural.

Os palestrantes incentivaram a comunidade a começar a melhorar a acessibilidade o mais rápido possível para o benefício da comunidade e à luz de muitos regulamentos nacionais e internacionais em vigor.1 A Lei de Acessibilidade da UE entra em vigor a partir de 2025, quando se tornará ilegal ter/hospedar conteúdo digital que não é acessível.2

Os agregadores de dados estão em uma posição única para influenciar a conscientização e implementação da acessibilidade entre os criadores de conteúdo. O SciELO está trabalhando nessa direção.

Na sessão Standards that Support Diversity, Equity, and Inclusion, Trevor Dawes compartilhou o que a biblioteca da Universidade de Delaware está fazendo para ser verdadeiramente inclusiva, como garantir que haja material relevante para todos os alunos/pesquisadores e que este material seja diverso (não eurocêntrico, com autores de todas as origens possíveis), garantindo que seus serviços sejam acessíveis e adaptáveis a todos os usuários e assim por diante.

Eles também têm realizado auditorias internas para revisar os processos de contratação (desde as perguntas feitas em entrevistas de emprego até onde a vaga de emprego é publicada), para garantir que os usuários e a equipe se sintam bem-vindos e à vontade e para analisar se há equidade na organização (observando que diversidade não é o mesmo que equidade).

A importância de falar sobre deficiência (e autoidentificação) foi destacada durante o painel, sendo benéfica tanto para empregadores quanto para empregados, pois pode ajudar empregadores a proporcionar melhores condições de trabalho, além de ajudar a desestigmatizar pessoas com deficiência.

Conhecimento indígena (CI), definido como “os entendimentos, habilidades e filosofias desenvolvidas por sociedades com longas histórias de interação com seu entorno natural”3 também foi um tema recorrente, com Katharina Ruckstuhl (Universidade de Otago) mencionando a importância da Indigenous Data and Sovereignty (IDS) a fim de preservar o CI, para que os povos indígenas sejam donos de seus dados e possam controlar sua informação, evitando a exploração, apropriação e deleção de seus conhecimentos comunitários. Os princípios CARE, desenvolvidos pela GIDA (Global Indigenous Data Alliance), complementam os princípios FAIR, em um esforço para reconhecer a soberania e governança dos dados indígenas.

Na conferência Connecting the World Through Local Indigenous Knowledge, a Dra. Margaret Sraku-Lartey, falou sobre o conhecimento indígena (CI) originado de países africanos; como o CI é frequentemente esquecido pelo conhecimento/pesquisa científica atual e precisa ser registrado (também) para que possa ser descoberto por pesquisadores e que as diretrizes para isso sejam necessárias.

A Dra. Sraku-Lartey também chamou a atenção para a forma como os direitos de propriedade intelectual dos povos indígenas são frequentemente abusados/ignorados, já que este conhecimento é geralmente extraído destas comunidades, capitalizado por outras, sem nunca os reconhecer. A necessidade de metadados para o CI foi levantada durante ambas as sessões e esperamos os próximos passos da NISO para facilitar as discussões em torno disto.

Tudo se relaciona com o provérbio africano que diz que “quando um idoso morre, uma biblioteca é totalmente destruída pelo fogo”. As pessoas são bibliotecas vivas e as bibliotecas fornecem infraestrutura para a sociedade acessar o conhecimento. Como Ginny Hendricks do Crossref trouxe à mesa em sua sessão, no final, infraestrutura é sobre pessoas.

Preprints

A sessão Quality and Reliability of Preprints ofereceu uma ampla visão institucional sobre preprints, de dois servidores – AfricArXiv e SciELO Preprints – e do piloto de preprints dos National Institutes of Health (NIH).

Joy Owango, Diretora Executiva da AfricArXiv, apresentou uma visão geral do servidor, feito para pesquisadores africanos ou indivíduos que fazem pesquisas na ou sobre a África. AfricArXiv é administrado por seus African Principles for Open Access in Scholarly Communication; eles também têm um programa que incentiva os pesquisadores a publicar em idiomas locais/regionais e, em seguida, os ajuda a traduzir esta pesquisa para o inglês.

Ela discutiu algumas das razões pelas quais há sub-representação de conteúdo acadêmico vindo da África: a barreira do idioma, viés regional em periódicos ocidentais, a grande quantidade de pesquisas publicadas apenas em papel e gargalos na infraestrutura, como desafios de rede e conectividade da Internet.

Já o servidor SciELO Preprints é gerenciado pelo Programa SciELO e baseado em OPS (Open Preprint Systems), desenvolvido pela PKP (Public Knowledge Project). O Programa SciELO há alguns anos vem incentivando seus periódicos a adotarem as práticas da Ciência Aberta e o SciELO Preprints faz parte deste esforço coletivo. O servidor começou a operar em abril de 2020 e, embora seja aberto a todas as áreas do conhecimento, recebeu principalmente submissões de trabalhos relacionados à COVID-19. Setenta por cento dos artigos submetidos são de autores brasileiros, 20% de autores latino-americanos e os 10% restantes são de outros países.

Abel Packer (SciELO) observa que preprints são adotados quando há um senso de urgência na comunicação da pesquisa e é importante entender que eles adicionam complexidade ao gerenciamento da qualidade da pesquisa, mas “enriquecem nossa infraestrutura da comunidade de pesquisa”.
Finalmente, Abel afirma que o “poder dos preprints reside na sua propriedade de desintermediação da web. Portanto, quando você sente a necessidade de publicar, tem uma nova oportunidade porque você [faz a] web e sua propriedade de desintermediação [permite isso].” O SciELO vem afirmando que o futuro é aberto nos últimos anos e certamente soa verdadeiro agora!

A confiabilidade dos preprints também foi discutida. Na sessão Misinformation and the Truth: From Fake News to Retractions to Preprints, Michelle Avissar-Whiting da Research Square mostrou como a mídia/sociedade recebeu três preprints postados em sua plataforma, um sendo “mal compreendido” (gerou notícias que foram usadas como clickbait), outro sendo “interpretado exageradamente” (lido muito literalmente e não de forma abrangente), e o último sendo uma “verdade conveniente” (usada para promover teorias de conspiração/agenda política). Michelle encerrou sua palestra argumentando que é melhor ter sido publicado como preprint e rapidamente desacreditado do que ser publicado e causar danos com os resultados de sua pesquisa, usando o artigo do Lancet que relaciona o autismo às vacinas MMR como exemplo, que levou doze anos para ser retratado.

Dados de pesquisa

As sessões dedicadas aos dados FAIR, dados vinculados e de pesquisa discutiram e propuseram maneiras de melhorar o compartilhamento de dados e sua padronização para o benefício da comunidade.

Houve um forte foco na política de dados de pesquisa e como as organizações em todo o cenário de pesquisa (publishers, financiadores, instituições de pesquisa) estão trabalhando para padronizar estas políticas. Todd Carpenter (Diretor Executivo da NISO) destacou que o compartilhamento/citação de dados ainda está em seu primórdio, portanto, os padrões e estruturas criados agora ainda estarão mudando e evoluindo por algum tempo.

Aumentar a conscientização sobre os princípios FAIR entre pesquisadores e colaboradores é muito importante, especialmente no que diz respeito às declarações de disponibilidade de dados, repositórios e benefícios do FAIR. Identificadores persistentes são um princípio central (F1) dos dados FAIR e, portanto, é crucial aumentar a conscientização dos PIDs (persistent identifiers) no gerenciamento de dados.

Para encorajar as melhores práticas de compartilhamento de dados e informação, é importante dar crédito a quem faz a curadoria e deposita os dados, disse Christian Herzog (CEO da Dimensions). PIDs são importantes e bons metadados são ainda mais importantes, afirmou Shelley Stall (AGU). Ela também destacou a importância de iDs de ORCID e DOIs do DataCite para aumentar o reconhecimento de software4 e conjuntos de dados e seus criadores.

O SciELO lançou seu repositório de dados (desenvolvido por Dataverse) em agosto passado, que pode ser usado por autores que submetem manuscritos a periódicos da Rede SciELO e ao servidor SciELO Preprints. O repositório segue os princípios FAIR.

Identificadores e padrões na infraestrutura de pesquisa aberta

A sessão Identifiers, Metadata and Connections discutiu como mesclar identificadores persistentes nos metadados para estabelecer conexões entre trabalhos de pesquisa.

Na vida real, pesquisadores, colaboradores, sua produção e organizações estão interconectados de maneiras múltiplas e complexas. Identificadores persistentes para indivíduos (ORCID iDs), produção científica (Crossref e DataCite DOIs) e organizações (ROR IDs) nos permitem entender e seguir melhor estas conexões. Tornar estas conexões e sua informação acessíveis a todos na forma de metadados abertos ajuda a mapear com eficácia o ecossistema de pesquisa e aumentar a confiança e a transparência na pesquisa e em sua infraestrutura.

Os benefícios dos identificadores persistentes podem ser aumentados se eles forem combinados e conectados por meio de seus metadados, esclarecer o processo e as atividades de pesquisa (quem contribuiu para um artigo, quem o revisou, se alguma preocupação foi levantada, quem o financiou, links para dados subjacentes e código), e reconhecer pesquisadores, suas contribuições, bem como as organizações que os apoiam.

Figura 1. O PID Graph, uma rede de Sistemas PID, estabelece conexões entre diferentes entidades dentro do cenário de pesquisa e pode ajudar a perguntar e responder a novas questões.

O painel Open Versus Proprietary in Softwares and Systems foi uma mesa redonda moderada por Leslie Johnston (National Archives), na qual os membros do painel discutiram as vantagens e desvantagens de softwares e sistemas abertos e proprietários. A principal conclusão da sessão foi que o software proprietário é melhor para uma solução rápida e mais robusta com um suporte bom e especializado, mas que o software aberto é mais sustentável a longo prazo, pois é gerido pela comunidade e permite mais transparência e personalização, mesmo que seja mais trabalhoso para se manter atualizado/em execução.

Em relação ao desenvolvimento de softwares e sistemas, os padrões podem ser realmente úteis no sentido de que é mais sustentável (e mais fácil) trabalhar com padrões pré-estabelecidos do que codificar tudo do zero, permitindo, também, melhores opções de interoperabilidade. Isso está relacionado ao painel Standards in Open Research Infrastructure, também uma discussão em mesa redonda, liderada por Natasha Simons do Australian Research Data Commons.

Nesse sentido, Daniel Bangert (Digital Repository of Ireland) menciona que os padrões ajudam na interoperabilidade e na garantia de confiabilidade e qualidade (certifica que todos “falem a mesma língua”). Arianna Becerril-Garcia, do Redalyc, observa que a infraestrutura de pesquisa aberta ajuda a tornar o conteúdo mais abertamente acessível, disseminado, conectado e detectável.

Governança de infraestrutura aberta

Na sessão Business Models of Infrastructure Support, Ginny Hendricks levantou que as organizações indonésias respondem por quase 14% dos membros da Crossref, ilustrando a diversidade de seus membros e o fato de que organizações de regiões além do “Norte Global” dão uma contribuição importante para sua sustentabilidade. Ginny Hendricks e Rebecca Kross (Canadian Research Knowledge Network, CRKN) destacaram a importância das pessoas na sustentabilidade da infraestrutura aberta: desde usuários, funcionários, membros do Conselho, até membros institucionais e defensores, todos desempenham um papel importante na adoção e desenvolvimento de infraestruturas.

Responsabilidade foi um tópico importante na sessão e, a esse respeito, foi destacado que organizações como Crossref e ROR (Research Organization Registry) se comprometeram recentemente com os Principles of Open Scholarly Infrastructure. A relação entre organizações sem fins lucrativos e comerciais foi problematizada durante a discussão. Nesse sentido, o trabalho da CRKN com organizações com fins lucrativos é conduzido por princípios definidos pelos membros com o objetivo de promover comunicação acadêmica sustentável e igualdade de acesso para todos, não apenas no Canadá, de acordo com Rebecca Kross.

Retratações

Outro tópico para a sessão Misinformation and the Truth: From Fake News to Retractions to Preprints foi a pesquisa retratada; Caitlin Bakker, da Universidade de Minnesota, observou que há um problema com o uso potencial de pesquisa retratada sem o conhecimento de seu status retratado (por exemplo, um médico pode usar um artigo retratado para diagnosticar um paciente), além disso, não há consistência entre plataformas e, muitas vezes, avisos de retratação não são públicos/fáceis de encontrar/vinculados ao artigo original.

Jodi Scheider, da Universidade de Illinois Urbana-Champaign, fez algumas recomendações neste sentido: tornar a informação de retração fácil de encontrar e de usar, recomendar metadados e taxonomia, criar melhores práticas para o processo de retração, educar e socializar pesquisadores e desenvolver padrões, software e bases de dados para qualidade de dados sustentável. NISO deve organizar grupos de trabalho para trabalhar em diretrizes de retratação.

Atualização da NISO

A sessão NISO Update nos trouxe uma visão geral de três projetos em andamento, MECA (Manuscript Exchange Common Approach), o Content Platform Migrations Working Group e KBART (Knowledge Bases and Related Tools).

MECA é um padrão que “buscou chegar a um acordo sobre uma metodologia para empacotar arquivos e metadados para transferir aquele pacote de um sistema de submissão para qualquer outro.”5 Tornou-se uma Prática Recomendada da NISO em 2020 e reuniu-se novamente em 2021 como um comitê permanente estabelecido. O comitê MECA está trabalhando atualmente na expansão de suas recomendações, examinando mais estudos de caso e incorporando a revisão por pares

O Content Platform Migrations Working Group está trabalhando para desenvolver práticas recomendadas para ajudar a normalizar os processos de migração da plataforma de conteúdo e fornecer recomendações para melhorar as comunicações antes, durante e depois das migrações. O seu rascunho está atualmente aberto para comentários públicos (de 10 de março a 23 de abril de 2021) e quaisquer contribuições feitas serão consideradas pelo grupo de trabalho.

KBART “é uma prática recomendada pela NISO que facilita a transferência de metadados de acervos de provedores de conteúdo para fornecedores de base de conhecimento e bibliotecas.”6 Encontra-se agora na Fase III, que tem, entre os seus objetivos, a capacidade de permitir informação mais granular, melhorar a sua utilidade para conteúdo de línguas não inglesas/europeias e melhorar e clarificar o seu processo de endosso.

Conclusão

Diversidade, equidade e inclusão (DEI), acessibilidade, e os desafios da COVID-19 foram tópicos transversais ao longo da conferência.

O Comitê de Planejamento da NISO Plus 21 foi um esforço global, diverso e comunitário que ajudou a moldar a experiência da conferência. O grupo foi conformado por 26 indivíduos representando diferentes geografias, estágios de carreira, setores (bibliotecas, publishers, fornecedores, provedores de infraestrutura e outros) e tamanhos e estruturas organizacionais. É importante mencionar que a conferência hospedou sessões em todos os fusos horários, oferecendo oportunidades de discussão ao vivo para todos os participantes. “Deleite” foi o princípio orientador para a organização do evento, e cada uma das várias plataformas para participar do NISO Plus foi cuidadosa e deliberadamente selecionada para torná-la uma experiência única e alegre para todos.

NISO Plus continua a ser um espaço aberto para discussão e a edição deste ano redobrou os esforços para permitir uma participação mais ampla. No ano passado foi discutido que “não basta abrir”, a necessidade de “descolonizar a comunicação científica e pensar nas vozes “que faltam na sala”. Na conferência anterior, Carolina Tanigushi foi a única pessoa representando uma organização fora do “Norte Global”. Na NISO Plus 2021, a participação de delegados da América do Sul, África e Ásia aumentou, assim como o protagonismo de diferentes vozes e perspectivas em toda a comunidade. Nós – as autoras – acreditamos que a inclusão deve ser mais do que um slogan, mas uma prática. Se quisermos resolver problemas globais, não podemos trabalhar em silos ou ignorar as diversas práticas e necessidades de nossa comunidade.

Temas relacionados à ciência aberta já ocupavam grande parte da conversa, mas a pandemia os colocou em evidência, pressionando por mudanças rápidas no ecossistema de pesquisa, principalmente no que se refere a práticas que permitem postagem/publicação mais rápida e mais transparência no processo de publicação. De repente, os preprints estavam sendo comentados no noticiário (para o bem ou para o mal) e a discussão sobre confiabilidade e confiança na ciência estava acontecendo em uma escala muito mais ampla, especialmente considerando alguns artigos de alto perfil sobre COVID-19 que foram retirados, fossem eles ainda preprints ou publicados em periódicos reconhecidos.

Sylvain Massip, da Opscidia, destacou três grandes desafios da comunicação científica: descoberta, acesso e confiança. Embora não possamos controlar como a sociedade receberá/interpretará a informação científica, os padrões (e outras práticas de ciência aberta) podem ser usados para permitir esta interação, tornando mais fácil encontrar, acessar e usar resultados de pesquisa, para, em última análise, aumentar a confiança na ciência para todos.

Após sua segunda edição, podemos confirmar que a NISO Plus se estabeleceu como um espaço de discussão sustentável e plural para todos os interessados no ecossistema da informação. Como parte do coorte de bolsistas da NISO Plus 2020 experimentamos, reconhecemos e celebramos a liderança da NISO em promover a inclusão e a participação.

A NISO realmente se esforça para praticar o que prega e dar oportunidades, apoio e incentivo a todos os interessados em aumentar a confiança na informação. Afinal, é por isso que usamos e precisamos de padrões, para construir confiança na informação e na prática e promover uma cidadania positiva e responsável. Nesse sentido, é muito importante que nossa comunidade se reúna e encontre soluções que funcionem para todos. É preciso uma aldeia, e precisa ser global!

Notas

1. Se considerarmos que todas as instituições de ensino superior nos EUA que já foram processadas por causa da acessibilidade perdida e que a cada ano ocorrem cerca de 2.000 ações judiciais relacionadas à acessibilidade de sites e documentos, isso aumenta a importância e o impacto de permitir/fornecer conteúdo digital acessível.

2. Algumas ferramentas interessantes foram compartilhadas, como VPATs (Modelos Voluntários de Acessibilidade de Produto) – para ajudar a avaliar o status de acessibilidade do site e Ace, o Verificador de Acessibilidade para ePUB desenvolvido pelo Daisy consortium.

3. Local and Indigenous Knowledge Systems: http://www.unesco.org/new/en/natural-sciences/priority-areas/links/related-information/what-is-local-and-indigenous-knowledge

4. A citação de software em particular ainda é um desafio, especialmente considerando que softwares são comumente encontrados em sites como o Github que, na maioria das vezes, não integram DOI e PID. O Zenodo possui uma integração com o Github, permitindo que o código seja submetido ao repositório, obtendo um DOI e garantindo a preservação digital e citação do software.

5. Manuscript Exchange Common Approach (MECA): https://www.manuscriptexchange.org/

6. Knowledge Bases And Related Tools (KBART): https://www.niso.org/standards-committees/kbart

Referências

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Links externos

#NISOPlus21 – Twitter Search: https://twitter.com/search?q=%23NISOPlus21&src=typed_query

A focus on accessibility: https://nisoplus21.sched.com/event/fMn7/a-focus-on-accessibility

Ace, by DAISY: https://daisy.github.io/ace/

African Principles for Open Access in Scholarly Communication: https://info.africarxiv.org/african-oa-principles/

AfricArXiv: https://info.africarxiv.org/

CARE Principles for Indigenous Data Governance: https://www.gida-global.org/care

Connecting the World Through Local Indigenous Knowledge: https://nisoplus21.sched.com/event/fMm6/keynote-connecting-the-world-through-local-indigenous-knowledge

Content Platform Migrations Working Group: https://www.niso.org/standards-committees/content-platform-migrations

FAIR data principles and why they matter: https://nisoplus21.sched.com/event/fMma/fair-data-principles-and-why-they-matter

Identifiers, metadata and connections: https://nisoplus21.sched.com/event/fMnD/identifiers-metadata-and-connections

KBART Phase III Proposal: https://groups.niso.org/apps/group_public/download.php/22728/KBART%20Phase%203%20Proposal%20Final%20Revised.pdf

Knowledge Bases And Related Tools (KBART): https://www.niso.org/standards-committees/kbart

Linked data and the future of information sharing: https://nisoplus21.sched.com/event/fMll/linked-data-and-the-future-of-information-sharing

Manuscript Exchange Common Approach (MECA): https://www.manuscriptexchange.org/

Misinformation and the truth: from fake news to retractions to preprints: https://nisoplus21.sched.com/event/fMnP/misinformation-and-truth-from-fake-news-to-retractions-to-preprints

NIH Preprint Pilot: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/about/nihpreprints/

NISO Community Forum: https://discourse.niso.org/

NISO Plus Planning Committee: https://niso.plus/niso-plus-planning-committee/

NISO RP-38-202x, Content Platform Migrations Draft for Public Comment: https://groups.niso.org/apps/group_public/document.php?document_id=25127

NISO Update: https://nisoplus21.sched.com/event/gKIA/niso-update

Open versus proprietary in softwares and systems: https://nisoplus21.sched.com/event/fMmy/open-versus-proprietary-in-software-and-systems

ORCID: https://orcid.org/

Principles of Open Scholarly Infrastructure: https://openscholarlyinfrastructure.org/

Quality and reliability of preprints: https://nisoplus21.sched.com/event/fMlf/quality-and-reliability-of-preprints

Reducing the Inadvertent Spread of Retracted Science: https://infoqualitylab.org/projects/risrs2020/

Research data: describing, sharing, protecting, saving: https://nisoplus21.sched.com/event/fMms/research-data-describing-sharing-protecting-saving

SciELO Data: https://data.scielo.org/

SciELO Preprints: https://preprints.scielo.org/index.php/scielo

Standards in open research infrastructure: https://nisoplus21.sched.com/event/fMmm/standards-in-open-research-infrastructure-challenges-and-perspectives-for-global-adoption

Standards that support diversity, equity, and inclusion: https://nisoplus21.sched.com/event/fMlZ/standards-that-support-diversity-equity-and-inclusion

The business models of infrastructure support: https://nisoplus21.sched.com/event/fMm3/the-business-models-of-infrastructure-support

The DAISY Consortium: https://daisy.org/

The FAIR Data Principles: https://www.force11.org/group/fairgroup/fairprinciples

The PID Graph: https://www.project-freya.eu/en/pid-graph/the-pid-graph

What is Local and Indigenous Knowledge? http://www.unesco.org/new/en/natural-sciences/priority-areas/links/related-information/what-is-local-and-indigenous-knowledge

 

Sobre Gabriela Mejias

Gabriela Mejias é a gerente de engajamento de consórcios do ORCID. Ela trabalha com comunidades de práticas que implementam estratégias regionais e nacionais de adoção do ORCID e participa de atividades comunitárias para promover o uso de identificadores persistentes (PIDs). Ela tem interesse em aprender mais sobre e contribuir para o desenvolvimento de infraestruturas de pesquisa abertas. Ele faz parte do Conselho da Networked Digital Library of Thesis and Dissertations (NDLTD) e é membro da Society for Scholarly Publishing (SSP).

 

Traduzido do original em inglês por Lilian Nassi-Calò.

Fonte: SciELO
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