Lei Aldir Blanc traz alento para a cultura da Amazônia

Recursos incrementaram – e muito – os orçamentos estaduais e municipais, mas artistas ainda enfrentam dificuldades para acessá-los. Acima, a musicista paraense Ana Paula Castro, que morreu em novembro de 2020 por complicações da Covid-19 (Foto: Roberta Brandão/Amazônia Real)

Por Alicia Lobato, Roberta Brandão, Tainá Aragão e Wérica Lima, da Amazônia Real

Josenilda Pinheiro da Silva, mais conhecida como Mestra Cenira, teve seu sonho de artista interrompido. Viúva e guardiã da obra do mestre de carimbó Verequete, Cenira estava prestes a lançar sua primeira canção, mesmo com todas as dificuldades em meio à pandemia do novo coronavírus. A artista paraense chegou a gravar uma música com recursos da Lei Aldir Blanc (LAB), mas não chegou a ouvi-la. Morreu aos 66 anos, em abril de 2021, vítima da Covid-19.

A história de Cenira, que criava tambores e outros instrumentos do carimbó, além de costurar figurinos, é uma entre tantas interrompidas pela pandemia. E é também uma parte da cultura que o Brasil está perdendo. Como continuar a produção cultural sem comprometer a vida dos artistas brasileiros quando não havia público, isolados em suas casas? Esta foi uma das questões que guiaram a formulação da LAB, mas que não foi suficiente para salvar a vida de alguns artistas. Para muitas vítimas, a Covid-19 chegou antes do benefício federal.

Foi o caso da musicista e multi-instrumentista Ana Paula Castro. A organização cultural e feminista “Baile da SEREIONAS”, a qual ela fazia parte, foi contemplada no edital, com verba oriunda da Lei Aldir Blanc, no mês de março de 2021. Mas Ana morreu em decorrência das complicações do novo coronavírus em novembro de 2020. Muito provavelmente, ela foi contaminada enquanto trabalhava. Ana teve que voltar a fazer shows em bares para sobreviver.

Mestra Cenira (Foto: arquivo familiar)

O Pará possui 37.571 artistas cadastrados no Mapa Cultural do Estado. Esse levantamento sobre o número de trabalhadores que atuam no ramo da arte é pioneiro. Até antes da implementação da LAB, esse dado não existia. O estado mais populoso da região Norte recebeu do governo federal 72,6 milhões de reais em recursos, que foram distribuídos para 11 regiões. Segundo a Secretaria de Cultura (Secult), 2.961 projetos culturais foram contemplados por meio de editais e 2.905 agentes foram beneficiados pelo auxílio emergencial.

A Amazônia Real mapeou por meio das secretarias de cultura da região norte o montante de recursos distribuídos pela Aldir Blanc. O mapeamento buscou traçar os impactos da lei na Amazônia e entender os caminhos encontrados pelos estados nortistas para a implementação da LAB. Para alguns estados, onde a cultura é quase um nódulo estranho à máquina pública, retratado em parcos orçamentos para a área, a LAB dobrou e até multiplicou em 15 vezes os recursos estaduais destinados para projetos culturais.

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Fonte: Amazônia Real
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