Publishers e dados FAIR

Por Jan Velterop

Imagem: NASA.

Recentemente, eu, e meu coautor Eril Schultes, apresentamos uma proposta para o mundo da publicação acadêmica se envolver ativamente na formulação de protocolos e padrões que tornem o material de pesquisa científica publicado legível por máquina, a fim de tornar os dados encontráveis, acessíveis, interoperáveis e reutilizáveis, ou seja, FAIR (Findable, Accessible, Interoperable, and Reusable)1. Considerando a importância das publicações de periódicos tradicionais na comunicação científica em todo o mundo, o envolvimento ativo de publishers acadêmicos – incluindo serviços de preprints, em nossa opinião – no avanço da mais rotineira criação e reutilização de dados FAIR é altamente desejado.

Nossa proposta foi publicada em acesso aberto, é claro, no periódico Information Services and Use1.

Argumentamos que a comunicação científica mudou, e agora está muito mais orientada aos dados do que antes, provavelmente devido às possibilidades oferecidas pela internet. Os dados sempre foram importantes na pesquisa científica, mas nas publicações eles foram tratados como um “suplemento”, disponível com os autores do artigo, se você tivesse sorte. Esta situação está mudando, e isso até poderia ser revertido em algumas disciplinas científicas, onde o artigo está começando a ser visto mais como um “comentário” sobre os dados, do que como o núcleo da comunicação, com os dados subjacentes atuando meramente como “suplemento”.

Nas palavras usadas em um informe da conhecida consultoria editorial Outsell: “Os dados trazem transparência e reprodutibilidade à comunicação científica quando são analisados e apresentados de forma acessível e interativa. Os publishers que se concentram em fazer dos dados um artefato de pesquisa genuíno criarão um motivo convincente para os autores escolherem seus periódicos.”

Isso implica claramente que os publishers devem tornar os dados que fundamentam os artigos publicados em seus periódicos mais facilmente encontráveis, acessíveis, interoperáveis e reutilizáveis do que no passado. Isso pode ser feito por meio da implementação dos princípios FAIR.

A fim de implementar os princípios FAIR de forma consistente, com o apoio do maior número possível de publishers, nós, com o incentivo e apoio da IOS Press, tomamos esta iniciativa para reunir uma rede de implementação de publishers.

Nota

1. VELTEROP, J. and SCHULTES, E. “An Academic Publishers’ GO FAIR Implementation Network (APIN)”. 2021, SciELO Data [viewed 20 January 2021]. https://doi.org/10.48331/scielodata.9CT6WT. Available from: https://data.scielo.org/dataset.xhtml?persistentId=doi:10.48331/scielodata.9CT6WT

Referências

VELTEROP, J. and SCHULTES, E. An Academic Publishers’ GO FAIR Implementation Network (APIN). Information Services & Use [online]. 2020, vol. 40, pp. 333-341 [viewed 20 January 2021]. https://doi.org/10.3233/ISU-200102. Available from: https://content.iospress.com/articles/information-services-and-use/isu200102

VELTEROP, J. and SCHULTES, E. “An Academic Publishers’ GO FAIR Implementation Network (APIN)”. 2021, SciELO Data [viewed 20 January 2021]. https://doi.org/10.48331/scielodata.9CT6WT. Available from: https://data.scielo.org/dataset.xhtml?persistentId=doi:10.48331/scielodata.9CT6WT

WILKINSON, M., et al. he FAIR Guiding Principles for scientific data management and stewardship. Scientific Data [online]. 2016, vol. 3, 160018 [viewed 20 January 2021]. http://doi.org/10.1038/sdata.2016.18. Available from: https://www.nature.com/articles/sdata201618

Link externo

IOS Press – https://www.iospress.nl/

 

Sobre Jan Velterop

Jan Velterop (1949), geofísico marinho, tornou-se editor científico em meados dos anos 1970. Ele iniciou sua carreira como editor na Elsevier em Amsterdã. Em 1990 tornou-se diretor de um jornal holandês, mas retornou à publicação científica internacional em 1993 na Academic Press em Londres, onde desenvolveu o primeiro acordo nacional que permitiu acesso eletrônico a todos os periódicos AP por todas as instituições de ensino superior do Reino Unido (o que mais tarde foi denominado BigDeal). Ele foi Diretor na Nature, mas logo se dedicou para ajudar a fazer decolar o BioMed Central. Ele participou da Iniciativa de Budapeste para o Acesso Aberto. Em 2005 foi para a Springer, baseado no Reino Unido como Diretor de Acesso Aberto. Em 2008 ele deixa a Springer para apoiar o desenvolvimento de abordagens semânticas para acelerar descobertas científicas. Velterop é um ativo defensor do acesso aberto em conformidade com a Iniciativa de Acesso Aberto de Budapeste (BOAI) e do uso de microatribuições, a referência das denominadas “nanopublicações”. Ele publicou vários artigos sobre ambos os temas.

 

Traduzido do original em inglês por Lilian Nassi-Calò.

Fonte: SciELO
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